Por que mudamos de cor quando morremos?

Imagine que nosso cadáver é tipo aquele anel do humor…

Eu vou chamá-lo de ‘Anel do Humorto’. Eles mudam de cor por causa do calor da nossa pele. Já nossos cadáveres vão mudar de cor pela falta dele… e por outras coisinhas. Porque você pode não estar mais vivo mas isso não quer dizer que a festa acabou. Sangue, bactérias, fluidos: tudo isso está reagindo, mudando e se adaptando. E essas mudanças significam… cores.

De acordo com uma explicação dada por Caitlin Doughty em seu livro Verdades do Além Túmulo, nosso primeiro ‘humorto’, ou seja, as primeiras cores que aparecem já nas primeiras horas depois que a gente morre têm a ver com sangue.

Uma vez que nosso coração parou de bombear sangue pra todo nosso corpo, a gravidade faz o que restou dele parar onde está, se afastando da superfície e nos empalidecendo, principalmente nos lábios e unhas. Nossa íris e globo ocular vão assumir um aspecto leitoso porque o fluido debaixo da córnea também estagnou.

Quando o sangue começa a se acomodar, as mudanças de cores se intensificam . As hemácias se separam e aparece o primeiro sinal visível da morte:  o livor mortis (“a cor azulada da morte”, em latim). Ele é resultado do acúmulo de sangue nas áreas mais baixas do cadáver, normalmente as costas, e tem coloração roxa.

O local onde elas estão e a intensidade da cor podem ajudar os peritos forenses a descobrir como e quando alguém morreu. Se o livor mortis estiver por toda a frente significa que o corpo ficou de bruços por muitas horas. Se ele for vermelho-cereja pode significar que a pessoa morreu de frio ou inalou monóxido de carbono. Já se o livor mortis for roxo-escuro ou rosa, pode ter sido um caso de sufocamento ou de insuficiência cardíaca. Agora, se a pessoa perdeu muito sangue não haverá livor mortis.

Tudo isso e só se passaram as primeiras horas desde que aconteceu a morte. Imaginem a festa do arco-íris de energia que será cerca de um dia e meio depois?!

Seja bem-vindo à putrefação

A partir desse período começamos a adquirir a famosa cor verde-morte, que na verdade está mais para marrom-esverdeada com um toque de turquesa. Dessa vez a culpa é das bactérias.

A parte inferior do abdome é a primeira a se esverdear. As bactérias que estavam no cólon se rebelam e começam a liquefazer as células dos órgãos. Tem fluido escorrendo por todos os lados e os gases da ação digestiva das bactérias fazem a barriga inchar. Conforme as bactérias se multiplicam e se espalham, o tom de verde começa a ficar mais escuro ou preto.

Mas a decomposição não começou com as bactéria. As enzimas já estavam destruindo seu corpo por dentro desde poucos minutos depois da sua morte. Junte isso ao processo de putrefação e novas cores surgem.

Sabe aquele efeito especial que os zumbis de filme têm? Com veias roxas aparecendo pra tudo lado? Então, em um cadáver, isso quer dizer que os vasos sanguíneos estão apodrecendo e a hemoglobina se separando do sangue. A hemoglobina mancha a pele, produzindo esquemas delicados de cores em tons de vermelho, roxo-escuro, verde e preto.

Esse show em tecnicolor está acontecendo ao mesmo tempo em que todos os outros efeitos visíveis da putrefação, como inchaço, purgação (vazamento do líquido que estava no seu estômago) e formação de bolhas ou descamação da pele. A cor vai mudar tão profundamente que você não vai mais reconhecer a pessoa e nem ser capaz de identificar a idade ou a cor da pele que tinha em vida.

Tudo no seu tempo

É provável que você passe a vida toda sem ver um corpo totalmente decomposto. A maioria das pessoas parece acreditar que cadáveres incham, se dilatam e mudam de cor imediatamente. Não é verdade, demora dias.

Não vemos corpos em estado avançado de decomposição em filmes de zumbi ou terror porque, na vida real, é muito raro que um cadáver chegue a esse estado. A maioria das funerárias recebe os corpos rapidamente, conservando-os em unidades de refrigeração ou embalsamando-os. E são logo enterrados ou cremados.

Perdemos esse festival de cores mas talvez seja melhor assim.

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