Medo e morte

Por que sentimos o que sentimos e como aliviar essa ansiedade

Tenho medo da morte ou ansiedade – o que devo fazer?

Para muitos, o melhor lugar para começar a enfrentar o medo da morte é definir o que o assusta. Depois de saber por que está com medo, existem exercícios que você pode fazer para mergulhar nele. Meditar sobre o que acontecerá com seu cadáver pode ser extremamente útil. Esse vídeo aqui da Caitlin Doughty pode te dar uma ideia.

Você pode ler sobre cerimônias fúnebres vivas, que se originaram na Coreia do Sul. Estas são meditações guiadas e atividades que os participantes dizem que são uma afirmação da vida.

É importante lembrar que ser de boa com a morte não significa que você não a teme. Em vez disso, é a disposição de compreender esses medos e como eles se manifestam em nós mesmos, nos outros e no mundo ao nosso redor.

Pensar na morte não é deprimente?

Nós não pensamos assim! Pode haver aspectos difíceis, é claro – ninguém disse que ser mortal era fácil. Mas, no geral, a repressão e a negação de nossos medos e emoções são muito piores.

Evitar pensamentos sobre a morte ou defini-la é em si uma forma de privilégio. Muitas pessoas são forçadas a enfrentar a morte em suas vidas diárias.

Também queremos observar que as maneiras pelas quais as pessoas se sentem confortáveis em lidar com a morte parecem diferentes para cada um – o que pode ser desconfortável para uma pessoa pode ser perfeito para outra. O envolvimento com a morte exige muito desconforto, mas também deve ser acompanhado de compreensão e compaixão.

Pensar na morte não é apenas sobre auto realização ou felicidade. Nosso futuro pode depender disso. Sheldon Solomon diz que “Se você olhar para os problemas que atualmente atingem a humanidade – não nos damos bem uns com os outros, estamos cagando pro meio ambiente, instabilidade econômica em virtude do consumo irracional – são todas manifestações malignas da ansiedade da morte descontrolada. ”

Existem outras maneiras pelas quais nosso medo da morte afeta nosso comportamento?

Mas com certeza!!!

Nosso pensador favorito nessa área é Ernest Becker.

Becker era “um antropólogo cultural americano e pensador e escritor interdisciplinar. Ele escreveu vários livros sobre motivação e comportamento humano, incluindo o vencedor do Prêmio Pulitzer de 1974, ‘A negação da Morte’ (The Denial of Death).

Nele, ele argumenta que “a motivação básica do comportamento humano é nossa necessidade biológica de controlar nossa ansiedade básica, de negar o terror da morte”. Becker sugeriu que uma função significativa da cultura é fornecer maneiras bem-sucedidas de se envolver na negação da morte ”.

Ernest Becker não influenciou apenas o movimento Death Positive. Ele também influenciou um grupo de psicólogos que desenvolveu a Teoria de Gerenciamento do Terror (TMT).

“A teoria foi inspirada nos escritos de Becker e iniciada por duas questões relativamente simples: por que as pessoas têm tanta necessidade de se sentir bem consigo mesmas ?; e por que as pessoas têm tanta dificuldade em se relacionar com pessoas diferentes de si mesmas? ”

O analfabetismo cultural sobre a morte como Teoria aplicada de Gestão do Terror

Por: Tamara Waraschinski, PhD

A Teoria de Gestão do Terror (ou TMT- Terror Management Theory) é uma importante vertente de pesquisa empírica dentro dos estudos sobre a morte que se concentra exclusivamente no impacto da ansiedade (inconsciente) da morte na vida cotidiana. A tese central dessa teoria é a ideia de que tomar consciência da morte tem consequências para as pessoas.

A TMT se desenvolveu em meados dos anos 1980 e é baseada no trabalho do antropólogo cultural Ernest Becker. Sua inspiração primária vem do livro de Becker The Denial of Death e segue sua ideia de que as pessoas são apanhadas no paradoxo humano de estarem preocupadas com a morte, devido ao desenvolvimento cognitivo único de nossa espécie da capacidade de antecipar o futuro, por meio da linguagem e da autoconsciência. Paradoxalmente, a consequência da consciência da mortalidade é um medo sempre presente da morte que precisa ser controlado para manter o mundo produtivo e funcional. Se não fosse isso, como as pessoas voltariam a fazer coisas como lavar a louça e pagar impostos?

No pensamento de Becker, as culturas e sociedades são manifestações da crença de que a existência humana é significativa e interminável. Ao viver de acordo com os padrões que a sociedade oferece, a existência de alguém ganha valor porque conecta o indivíduo a algo mais grandioso, que entende a sociedade como um sistema codificado de justificação ideológica de si mesmo que vale a pena. A ilusão compartilhada de permanência e imortalidade entre os membros de todas as culturas dá ao mito social seu poder.

O conceito original de TMT aborda a autoestima, como ela é adquirida e mantida e por que é necessária. Becker entende o herói como uma representação de “valores culturais condensados ​​em uma forma ideal de humanidade”. Esse papel arquetípico do herói define a medida contra a qual um indivíduo pode se comparar a si mesmo. Quanto mais nos aproximamos do arquétipo do herói, maior o nível de autoestima, que se traduz em sentimentos individuais de segurança emocional fortes o suficiente para amortecer o medo existencial, a ansiedade ou o terror.

De acordo com a TMT, as percepções culturais fornecem uma lente compartilhada para ver a vida e a realidade de uma forma que faça sentido. Isso cria uma comunidade de pessoas com interesses semelhantes. Com o tempo, essas percepções particulares e compartilhadas se solidificam e as experiências e visões fora dessas crenças parecem estranhas e ameaçadoras. Embora essas visões de mundo possam fornecer alguma esperança simbólica de imortalidade, essas percepções são frequentemente muito frágeis para resistir à crítica de estranhos com uma perspectiva diferente. O que se segue é que o indivíduo se distanciará de pessoas com visões diferentes, mas buscará pessoas com atitudes e normas culturais semelhantes às suas.

A pesquisa TMT conclui que relacionamentos íntimos, autoestima e visões de mundo desempenham um papel importante como um amortecedor de ansiedade no ser humano consciente da mortalidade . No entanto, a morte continua sendo o elefante na sala. Darell e Pyszczynski argumentam:

Em seu cerne, a TMT postula que as pessoas são consistentemente, e inconscientemente, motivadas a manter a fé em suas visões de mundo culturais, autoestima e relacionamentos íntimos para se proteger da ansiedade produzida pela consciência de que a morte é inevitável.

Adaptação de conteúdo publicado no blog The Order of the Good Death. Leia o original, em inglês, aqui.

O estudo original de Tamara Waraschinski você encontra aqui.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: