Você conhece o João Galafuz?  

Assombração para uns, o fenômeno fogo-fátuo nada mais é do que uma reação química

Imagina só: você está andando pelo cemitério à noite quando, de repente, aparece uma chama azulada em cima de uma lápide. Desesperado você corre e percebe que esta chama está te seguindo. Sinistro, né?

E se, ao invés do cemitério, você estiver perto de lago e o fogo aparecer ali mesmo, na água? Será que é um show do Deep Purple? Nada disso. É o João Galafuz!!

Lenda comum entre os pescadores do Pernambuco, o tal João é uma entidade sobrenatural que anuncia temporais ou tempestades. Se ele aparece, é hora de amarrar os barcos e prender as palhas que cobrem as casas pois os ventos e as ondas serão fortes. Dizem que quem é apanhado pela assombração vai parar num túmulo no fundo do mar.

O historiador e folclorista Francisco Pereira da Costa, nascido no século 19, já descrevia o João Galafuz em seu “Vocabulário Pernambucano”. Ele afirmava que a crença era dominante entre pescadores e homens do mar do norte do Estado, principalmente de Itamaracá. Mas que chegava até nas praias de Sergipe, porém com o nome de “Jean de la foice”.

Já Luís da Câmara Cascudo, pesquisador e folclorista potiguar, nos conta em sua “Geografia dos Mitos Brasileiros” que assombração semelhante também é conhecida em Alagoas, desta vez com o nome de João Galafaice ou Galafoice, sendo associada à lenda a ideia de um preto velho raptor de crianças.

O tal fogo também deu origem a um dos primeiros mitos indígenas de que se tem notícia: o boitatá, a enorme serpente de fogo que mata quem destrói as florestas.

Boitatá

Conversa de pescador

Mas a explicação para tal chama é tão interessante quanto os causos dos pescadores. Trata-se do fogo-fátuo, uma reação química que vem de corpos em decomposição. Nesse processo, as bactérias que metabolizam a matéria orgânica produzem gases que entram em combustão espontânea em contato com o ar. Ocorre uma pequena explosão e a chama azulada vem acompanhada de um estrondo que assusta quem está por perto.

Acontece assim:

Quando um ser vivo morre, várias espécies de bactérias entram em ação para decompor a matéria orgânica. Nesse processo, ocorre a produção de dois gases, o metano e a fosfina, que serão os responsáveis pelo fenômeno;

Aos poucos, a concentração desses gases cresce, por exemplo, dentro de um caixão. Isso aumenta a pressão no subsolo, fazendo com que a mistura vaze por pequenas fendas e suba em direção à superfície, esgueirando-se pelos poros da terra;

Na superfície, em contato com o oxigênio do ar, os dois gases entram em combustão espontânea, produzindo uma chama azulada. Tudo ocorre rápido e a chama não dura mais que alguns segundos;

Para quem está perto, a reação instintiva é correr. O problema é que esse movimento causa um deslocamento brusco de ar, puxando a chama e dando a impressão de que ela tenta perseguir a vítima – como um fantasma, uma alma penada ou o boitatá.

Entre cruzar com o Galafuz, o Boitatá ou o Jean de la foice, acho que eu prefiro mesmo é o Ian Gillan, do Deep Purple.

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