Oração ao cadáver desconhecido

Normalmente encontrada nas paredes dos laboratórios de anatomia, e nos convites de formatura, a “Oração ao Cadáver Desconhecido” é uma forma de homenagear àqueles que cederam seus corpos ao progresso da ciência

A oração ao cadáver desconhecido foi escrita pelo barão Karl Von Rokitansky. Médico patologista, nasceu e viveu na Áustria entre 1804 e 1878, e supervisionou cerca de 70.000 necropsias, executando 30.000 delas no instituto de patologia em Viena, uma média de duas por dia, sete dias por semana durante 45 anos.

Sua técnica de necropsia é utilizada até hoje e conhecida como técnica de Rokitansky.

Foi um grande filósofo, influenciou os médicos da época a não considerar o ser humano como simples objetos de pesquisa, devendo tratar os indivíduos com máximo respeito.

Também lutou para desenvolver a ética na medicina e a compaixão, e costumava falar: “se preservarmos e praticarmos a compaixão, seremos capazes de aliviar parte do ônus do sofrimento de nossos pacientes”.

Seu grande legado foi deixado ao cadáver, em forma de oração escrita em 1876, poucos anos antes de sua própria morte. Trata-se de uma lição fundamental, que todos os estudantes devem aprender, e os novos professores de anatomia devem propagá-la. É aprendendo a respeitar os mortos que nos concentramos e nos esforçamos para auxiliar a vida.

Barão Karl Von Rokitansky

Oração ao Cadáver Desconhecido

Ao curvar-te com a lâmina rija de teu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembra-te que este corpo nasceu do amor de duas almas;

cresceu embalado pela fé e esperança daquela que em seu seio o agasalhou, sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e dos jovens;

por certo amou e foi amado e sentiu saudades dos outros que partiram, acalentou um amanhã feliz e agora jaz na fria lousa, sem que por ele tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece.

Seu nome só Deus o sabe; mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir a humanidade que por ele passou indiferente“.

Karl Rokitansky (1876).

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