O suicídio e o pós-vida

Na cultura ocidental, o suicídio quase sempre está associado ao fracasso. A pessoa suicida não consegue chegar a um acordo com sua vida, então ela “desiste”. Mas não é assim em todas as culturas.

Mas e se você vier de uma cultura que acredita fortemente na vida após a morte literal? Por vida após a morte literal, quero dizer que tudo o que você é neste mundo é exatamente o que você será no outro mundo. Faltando uma mão? Maneta na vida após a morte. Um bebê? Engatinhando indefeso na vida após a morte. Velho e mal-humorado? Você entendeu…

Nesse cenário, você tem todos os incentivos para terminar sua vida cedo, enquanto você ainda está no seu auge. Em A Social History of Dying, Allan Kellehear  menciona que “os Mangaians do Pacífico Sul … os Kamants da Abissínia, os Índios Chiriguano da América do Sul e os Fijians estão entre os muitos que acreditam que as almas aparecem na vida após a morte exatamente na mesma imagem que tinham antes da morte. ”

Se você vai entrar na vida após a morte assim como está, naturalmente algumas dessas culturas desenvolveram métodos de suicídio que permitem o check-out antecipado no interesse da felicidade após a morte.

Os índios do Paraguai, por exemplo, dariam a um homem uma festa em sua homenagem, pré-suicídio. O que não parece tão ruim. Oh … mas então o homem foi coberto com alcatrão e penas e enterrado vivo em uma grande jarra.

Entre os índios Chiriguanos, um ente querido quebraria sua espinha com um machado. Obrigado, querido!

Você se lembra do fim do Titanic quando Rose morre uma mulher impossivelmente velha, mas emerge em algum tipo de paraíso como uma linda jovem novamente? Leonardo DiCaprio está esperando por ela no topo da escada e todas as vítimas estão lá para aplaudir sua entrada. Eles se beijam e a bem-aventurança eterna provavelmente começa.

Mas se Rose fosse uma índia Chiriguano, ela saberia que estaria condenada a ser uma Rose de 100 anos para sempre na vida após a morte. Se ela quisesse ficar com Jack por toda a eternidade, ela teria pulado daquela maldita porta flutuante e afundado nas profundezas geladas com ele. Ou talvez o tenha levado até a porta com ela em primeiro lugar, porque TODOS SABEMOS que os dois poderiam caber.

Isso tudo para dizer que é importante lembrar que nossas percepções sobre o suicídio são muito culturais. O que você acredita ser certo ou errado sobre o suicídio pode não ser o que o homem ou a mulher do país vizinho mais acredita.

Como bônus, aqui está um vídeo de uma lagarta fazendo cosplay de índio Chiriguano e cortejando a morte com ousadia.

Adaptação de conteúdo publicado no blog The Order of the Good Death. Leia o original, em inglês, aqui.

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