Terapia, saúde mental e boa morte

Contar a seus amigos e familiares sobre a boa morte é uma coisa, mas compartilhar este mundo com nossos médicos – especialmente nossos terapeutas –  pode ser complicado, desconfortável e desafiador.

Vivemos em um mundo onde a morte está em toda parte. Todos os dias ligamos a TV ou entramos nas redes sociais e nos deparamos com imagens brutais de morte… lembretes de como a vida é frágil e da importância de se tomar boas decisões enquanto vivos.

O Movimento da Boa Morte busca remover o estigma e a vergonha das conversas sobre a morte e o luto; ser positivo para a morte é compreender que pensar e falar sobre ela é normal e que as pessoas vivenciam a morte e o luto de maneiras diferentes. Ter conversas honestas sobre a morte promove um relacionamento saudável com ela.

Mas, embora contar a seus amigos e familiares sobre a boa morte seja uma coisa, compartilhar este mundo com nossos médicos, especialmente nossos terapeutas, pode ser complicado, desconfortável e desafiador.

Luto com a depressão e o transtorno bipolar há mais de quinze anos e sempre tive medo de falar com meu terapeuta sobre minha percepção positiva a respeito da morte, pois esses assuntos estão muito associados ao suicídio. Eu estava preocupada com a possibilidade de ser hospitalizada involuntariamente se meu terapeuta me entendesse mal e achasse que minha vida ou minha segurança estavam em risco.

Às vezes a conversa ficava desconfortável mas depois de um tempo e muito esclarecimento ele pode entender melhor minha perspectiva e me ajudar a lidar com tudo isso do meu jeito.  

Hoje em dia, ter uma conversa sobre a boa morte com seu terapeuta pode ser mais valioso do que nunca.

“Todo mundo está enfrentando a ansiedade da morte agora, em grande escala. Que momento melhor e mais racional para discutir seus sentimentos sobre sua própria mortalidade? ” diz Doughty, fundadora da Ordem da Boa Morte e líder do movimento.

Mas como abordá-los com o conforto e a clareza necessários para um resultado produtivo?

Não é o que você está pensando

Doughty diz que, antes de mais nada, “nada deve estar fora dos limites em suas sessões de terapia. Nunca deve haver uma reação palpavelmente negativa de um terapeuta a uma discussão sobre a morte. Se houver uma reação negativa, não é 100% sua culpa. ”

Ela sugere iniciar a conversa perguntando se seu terapeuta já ouviu falar em boa morte; em caso negativo, “diga-lhes que é um movimento popular que afirma que encerrar e reprimir conversas sobre a morte teve um efeito negativo em nossa sociedade. Pergunte se eles concordam com essa afirmação.”

Mas fique atento: exagerar no entusiasmo pode transmitir uma ideia errada sobre o seu interesse no assunto. Tente resumir a boa morte no que ela significa para você em alguns pensamentos curtos que são difíceis de interpretar mal. Diga algo como, ‘Para mim, boa morte é simplesmente estar disposto a falar sobre a morte e não fugir do desconforto ou estranheza que isso gera’ ou ‘Boa morte é encontrar maneiras de falar sobre a morte como uma coisa normal que nós todos experimentamos.’ Caso seu terapeuta se recuse a seguir nesse tópico, você tem todo o direito de escolher outro profissional.

“A positividade da morte tem a ver com a vida”, diz Sarah Chávez, Diretora Executiva da Ordem da Boa Morte. “As conversas sobre a nossa mortalidade não são apenas críticas para a nossa saúde mental, mas também para a nossa compreensão do eu e de como o nosso medo da morte está na base do nosso comportamento, crenças, ações e escolhas que fazemos.”

Adaptação de conteúdo publicado no blog The Order of the Good Death. Leia o original, em inglês, aqui.

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