Morte em tempos de COVID-19

Para ajudá-lo a falar da morte em tempos de COVID-19, separamos algumas questões que você pode estar se perguntando e alguns conselhos sobre como lidar com elas.

COVID-19 nos faz pensar a mesma coisa: a morte. Morte em números, morte em seu potencial, morte como uma ameaça. A morte é algo que entrou em nossas mentes e lá ficou, quase banal.

Para muitos de nós, mesmo aqueles que estão acostumados a falar sobre a morte ou se consideram de boa com ela, o tema pode parecer um tabu. Muito real. Muito sombrio.

Com o medo e a incerteza em alta, é absolutamente compreensível que as pessoas queiram se acalmar fingindo que a morte não é real para elas.

No entanto, vimos repetidamente que a paz de espírito duradoura vem ao se falar sobre a morte, expressar nossas preocupações e fazer planos para o fim da vida – seja ela a sua ou de seu ente querido.

Você pode pensar: “Meus amigos e família já estão com medo e ansiosos, eu realmente deveria falar sobre enterros e funerais? Não vou assustá-los? “

Você pode, mas não tem que ser assim.

Para ajudá-lo a navegar na conversa sobre a morte em tempos de COVID-19, aqui estão algumas questões que você pode estar se perguntando e alguns conselhos sobre como lidar com elas.

1. Posso falar sobre a morte com meus amigos e familiares nesse momento?

Sim! É absolutamente normal falar com seus amigos e familiares sobre a morte agora.

Quer as pessoas percebam ou não, a morte e a mortalidade estão alimentando muitos de nossos comportamentos – acumulando, atacando, negando – e criando muito estresse. Falar sobre a morte com as pessoas de quem você gosta pode ser uma coisa muito positiva.

NO ENTANTO, eles têm que concordar com a conversa. Leia a sala. Escolha o seu momento. Talvez não fale de TODAS AS COISAS DA MORTE quando seu colega tiver um ataque de alergia a pelos de gato.

Estes são tempos difíceis, é importante reconhecer a calistenia mental que muitas pessoas estão tendo que suportar apenas para manter suas famílias funcionando. Considerar como abordar a conversa também é um bom momento para verificar seus privilégios – suas preocupações com a morte podem não ser as mesmas que as do seu ente querido.

Se seus amigos e familiares estão abertos para falar sobre a morte, oriente-os, mas deixe-os conduzir a conversa. Como alguém que apoia o movimento da Boa Morte, você provavelmente está acostumado a discuti-la de maneiras que muitas pessoas não estão. No momento, eles podem apenas precisar expressar seus medos – eles não estão preparados para sua TED Talk sobre cremação direta.

Aqui estão algumas perguntas para ajudar a fazer com que seus entes queridos se sintam mais à vontade para se abrir:

  • “As coisas estão bizarras agora. Eu pessoalmente tenho me sentido um pouco ansioso com a morte e a mortalidade. Como você está se segurando aí?
  • “Estou sempre aqui para ajudá-lo se você quiser falar sobre qualquer ansiedade que possa ter sobre morte, doença, mortalidade, o que quer que seja – entre em contato sempre que quiser.”
  • “Com todas as informações que estão sendo postadas sobre COVID-19 e a morte, é difícil processar tudo e é até meio assustador. Eu sei que este não é o assunto mais DIVERTIDO, mas podemos ter uma conversa sobre a mortalidade? ”
  • “Eu sei que o que está acontecendo no mundo provavelmente está trazendo muitas coisas sobre a morte que não são fáceis de pensar. Podemos conversar sobre isso? ”

E talvez a coisa mais importante que você possa dizer a eles ao falar sobre a morte:

  • “Se você não estiver pronto para falar sobre isso, é só me avisar e mudaremos de assunto ou faremos outra coisa.”

A morte – se você nunca falou sobre isso antes – é muito para processar. Não provoque curto-circuito no cérebro de alguém na primeira vez!

É tudo uma questão de capacitar as pessoas a sentir que têm algum controle sobre a conversa em um mundo que parece muito fora de controle. Dê espaço para que façam perguntas, mas também para que estabeleçam limites.

Se seus entes queridos tiveram uma experiência positiva ao conversar com você sobre a morte, é provável que queiram continuar a conversa mais tarde.

2. Eu me considero de boa com a morte, mas estou me sentindo muito ansioso e com medo dela. Eu sinto que estou falhando – o que posso fazer?

Parabéns, guerreiro no movimento da Boa Morte! Se você está pensando: “Estou sentindo muito medo da morte agora”, isso é completamente OK e saudável.

Tirou 10! Estrela de Ouro! Você ganha um doce!

Diga conosco: não há nada de errado em ter medo da morte.

OK, não queremos que você tenha medo da morte, mas o fato de que você tem os meios para reconhecer seus medos significa que você está sendo muito positivo em relação à ela. Estar com medo ou ansioso não o torna menos de boa e não o torna menos capaz de ajudar os outros. Na verdade, pode torná-lo uma pessoa mais acessível ou compassiva.

Ser a morte “positiva” não significa que você sempre tem que estar alegre com a morte ou dizer coisas positivas. O movimento da Boa Morte trata de discuti-la, seja ela boa, ruim, feia ou coluna do meio.

E lembre-se, há uma diferença entre o MEDO e a FOBIA da morte. Se você está aqui, lendo estas palavras, obviamente está se envolvendo com seus medos e trabalhando com eles, em vez de evitá-los. É pique! É pique! É pique!

Todos nós temos diferentes origens e experiências relacionadas à morte, então, É CLARO que todos vamos nos envolver com a Boa Morte de maneiras diferentes. Você pode se envolver na conversa sobre a morte por causa de seu medo ou ansiedade sobre a mortalidade – se for isso, você não está sozinho! CONFIE EM NÓS.

O que quer que faça você falar sobre a morte é válido e razoável e estamos felizes por você estar aqui.

Aqui está nosso artigo sobre “O que a Boa Morte NÃO É”. Nele falamos sobre como é OK ter medo da morte.

3. Como posso fazer com que meus entes queridos tenham menos medo da morte?

Na real? Você não pode.

Spoiler: a morte é assustadora.

Assim como você não pode fazer alguém gostar de jiló ou de Big Brother, o medo da morte é algo que alguém tem que enfrentar por conta própria e em seus próprios termos. (Ainda torço o nariz quando como jiló. Tive que começar com pequenos pedaços até que me acostumasse com o sabor. Já Big Brother ainda não me desce. Para algumas pessoas, “pequenos pedaços” é como elas se aproximam da Boa Morte).

Às vezes, apenas ser capaz de dizer em voz alta: “Tenho medo da morte porquê …” pode aliviar um pouco o medo. É como aquela válvula da panela de pressão.

Nestes momentos em que estamos tão inseguros sobre saúde pública e recursos em geral, você pode não ser capaz de amenizar o medo da morte de seus entes queridos. Medos da mortalidade, medos da saúde, medos financeiros – TODOS OS MEDOS – estão vindo de todos os ângulos! Mas você pode deixá-los saber que eles não estão sozinhos e que seus medos são válidos e racionais e que o medo da morte não os torna fracos ou menos capazes.

4. Por último, cuide de si mesmo.

É como dizem nos aviões: “coloque sua própria máscara de oxigênio antes de ajudar aos outros.”

Embora seja importante nos unirmos para falar sobre isso, não sinta que você tem que sacrificar sua saúde mental sendo a parteira de Boa Morte de outras pessoas.

Mesmo os mais de boa com a morte entre nós não estão imunes ao estresse que nos assola agora. Há muitas mortes em nossos pratos. Está 100 por cento certo se você precisar recuar um pouco.

Preste atenção em você. Se falar sobre o medo da morte de outras pessoas hoje está aumentando demais suas próprias ansiedades, não fale. Espere até se sentir pronto para isso.

Talvez você opte por não ter essa conversa. Existem outras maneiras de se envolver com a morte! Escolha a forma que melhor se adapta aos seus talentos. Talvez você crie pinte, talvez escreva poesia, talvez os outros também considerem essas atividades úteis. Inclua-os em como você faz a Boa Morte.

Portanto, cuidem-se e cuidem uns dos outros. Se você precisar fazer uma pausa para ver as fotos de gatinhos, veja! Eu recomendo esta:

Adaptação de conteúdo publicado no blog The Order of the Good Death. Leia o original, em inglês, aqui.

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