A morte é um ovo

Medo, ansiedade e depressão são sentimentos comuns em quem pensa sobre a morte. Mas você não está sozinho.

Sejamos honestos: todos nós temos medo de morrer – seja do pensamento de estarmos mortos, da dor de morrer, ou da incerteza do que vai acontecer com seus restos mortais depois que partirmos. Acho até que há uma correlação direta entre o quanto uma pessoa confronta o  assunto e o quanto ela tem medo de falar sobre ele.

Sem julgamentos, todos temos formas diferente de levantar barreiras para nos proteger – “Eu definitivamente não tenho medo da morte!” é uma delas.

Toda vez que alguém descobre que eu faço parte da Ordem da Boa Morte é a mesma coisa: “Que demais! Acho tão importante falar sobre a morte. Você acredita que tem gente que tem medo de morrer?! Por que? Todos vamos morrer um dia, né?”

Eu só sorrio e concordo. Porque cada um enxerga a morte de uma forma. Mas, o que eu gostaria de dizer a eles é que não ter nenhum medo de morrer não é um pré-requisito para ser parte da Boa Morte.  

É preciso entender que medo e ansiedade são sentimentos que todos nós temos e que a melhor maneira de lidar com isso é confrontando-os, examinando-os, segurando-os em nossas mãos como se fossem um ovo branquinho, igual ao dos desenhos.

A morte é multifacetada. Não é só o medo de não existir. É o medo de sofrer, ou de ver quem amamos sofrendo, de ter nossos corpos desrespeitados, e do peso que nossa partida pode colocar nos ombros dos que ficam. O medo da morte não é egocêntrico; pode ser um medo compassivo.

E se você espera que eu te dê um mapa da mina de como vencer a morte, sinto muito, mas isso não existe. Tudo o que posso lhe dizer é: a morte é assustadora mas você não está só.

As pessoas sempre dizem que a morte é solitária, que você precisa encará-la sozinho. Sim, eu vejo a solidão nesse processo. E ansiedade, depressão, e outras perturbações que podem te fazer sentir muito só. Como se você fosse o único que teve um ataque de pânico ou não conseguiu sair da cama por dias; como se você fosse o único que chorou sem motivo aparente.

Mas saber que cada um de nós vai experimentar a morte é a coisa menos solitária em que posso pensar. Cada um de nós conhecerá a morte, terá que pensar em como ela será. Isso diminui meus medos, sabendo que não estou “quebrado” ou paralisado.

Há um mundo inteiro de pessoas lá fora olhando para o ovo da morte, se perguntando como fazer um omelete.

Adaptação de conteúdo publicado no blog The Order of the Good Death. Leia o original, em inglês, aqui.

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